Emanuelle Lira, coordenadora de Pediatria do Hospital Regional de Cajazeiras, explica que período sazonal pode ser prolongado em 2026 devido a Copa do Mundo
O aumento expressivo de casos de doenças respiratórias infantis acende o sinal de alerta para as famílias no primeiro semestre de cada ano. O Hospital Regional de Cajazeiras (HRC) está com sua capacidade máxima na ala pediátrica. O avanço da chamada “sazonalidade”, somado às aglomerações em períodos festivos, tem sido o principal fator para a sobrecarga do sistema de saúde.
Em entrevista ao programa Olho Vivo da TV e Rede Diário, a médica e coordenadora de Pediatria do HRC, Dra. Emanuelle Lira, explicou o comportamento histórico do vírus na região e destacou que, este ano, a estabilização dos casos deve demorar mais do que o habitual devido ao calendário de eventos. “Todo ano, começa em março a sazonalidade, vai começando a encher [os leitos]. Geralmente em abril e maio a gente vive o pico e, geralmente no final das festas juninas, começa a ter uma calmaria nas doenças respiratórias. Esse ano, a gente imagina que isso vai ser um pouquinho mais prolongado por conta da Copa”, disse.
Diante da alta demanda, muitos pais têm dúvidas sobre como funciona o encaminhamento médico e para onde devem levar as crianças que apresentam sintomas gripais. A coordenadora enfatizou que, em Cajazeiras, o atendimento inicial nunca deve ser buscado diretamente no hospital de alta complexidade, mas sim na Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
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“O paciente que tiver qualquer problema respiratório, criança, a porta de entrada é pela UPA. Criança está com dificuldade para respirar, está com febre alta, moleza no corpo e sintomas gripais? UPA. Na UPA é feita a avaliação inicial e a conduta inicial da criança. Então, se for por exemplo uma gripe leve, medica, vai para casa… E quando eles vão vendo que o caso é de internação, eles vão dividir ali em quem é caso de enfermaria, quem é caso de UTI”, destacou a especialista.

Dra. Emanuelle Lira, coordenadora de Pediatria do HRC- Foto: Larissa Melo/Diário do Sertão
A médica pediatra explicou que a regulação dos leitos é feita de forma integrada com o Estado. Para os casos moderados, a UPA encaminha os pacientes via regulação estadual para o Hospital Universitário Júlio Bandeira (HUJB) ou para as 10 vagas de enfermaria sazonal abertas temporariamente pelo Hospital Regional de Cajazeiras (HRC).
Em casos graves, que exigem cuidados intensivos, dependem dos 5 leitos de UTI do HRC, que é a única referência em terapia intensiva infantil num raio de 200 quilômetros, atendendo a dezenas de municípios de todo o Sertão. Caso a UTI do HRC fique lotada, a regulação busca vagas em outras regiões do estado, como Patos, Campina Grande ou João Pessoa.
Dra. Emanuelle tranquilizou as famílias, reforçando que todo o processo burocrático e de busca por leitos ocorre internamente entre os órgãos de saúde, sem a necessidade de deslocamento ou desespero por parte dos responsáveis. Ela concluiu alertando para a velocidade com que o cenário muda dentro da unidade hospitalar, exigindo um trabalho ininterrupto das equipes médicas.
“É uma coisa que é mutável. E aqui a gente vai: quem vai tendo uma melhorazinha vai tendo alta para a enfermaria e a gente vai recebendo o próximo paciente, que nessa época é coisa de horas. Tira um e, horas depois, o leito já está ocupado. Às vezes minutos… o tempo de limpar e já tem, infelizmente, paciente na espera para poder entrar”, concluiu.
Assista a entrevista completa com a coordenadora de Pediatria do HRC, Dra. Emanuelle Lira: